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Não se traduzem os feitiços

NÃO SE TRADUZEM OS FEITIÇOS

Experimento audiovisual de Tiganá Santana em colaboração com Clara Domingas

Não se traduzem os feitiços é uma experiência criativo-imersiva alicerçada na linguagem audiovisual, através da qual, imagens entrelaçadas com a música convocam uma dimensão de mistério, memória, temporalidade e sonho.

A partir de registros feitos no Cabo-Verde e nos litorais sul e norte da Bahia, o cantor e compositor Tiganá Santana, a artista visual Clara Domingas, o produtor musical Sebastian Notini, bem como os músicos Jorge Solovera, Ldson Galter e Nailor Proveta, configuram um tecido artístico que dialoga com referenciais híbridos afro-ameríndios, interligados atlântica e continentalmente, numa perspectiva “feiticeira” de transmutação, (des)enraizamento e poética.

O tema composto por Tiganá Santana ganha texturas e camadas, sob a produção musical dele e do músico Sebastian Notini, embasadas na sonoridade da percussão, violão-tambor, violões de aço, clarineta, vozes e outras interferências sonoras. A mixagem de áudio, feita no estúdio La Fabrique na França e a masterização, realizada em Estocolmo, no CRP Mastering, ratificam tecnicamente o desenho mântrico e pluricromático desse tema condutor, em diálogo com o universo visual concebido simultaneamente. A artista Clara Domingas explora possibilidades compositivas da visualidade, usando registros feitos por ela na Ilha de Santiago (Cabo-Verde), Olivença (Litoral sul da Bahia) e Itapuã/ Praia do Forte (Litoral norte da Bahia).

O que se vê é o resultado do contato que os artistas envolvidos estabeleceram com crianças, jovens e anciãos representantes de manifestações culturais e modos coletivos de existir no Cabo Verde – a exemplo das batucadeiras do grupo Mondom; nas aldeias de retomada em Olivença e seus lugares humanos e profundos de fala; com pescadores de Itapuã e sua complexa geometria temporal; com a sangrenta memória da casa de Garcia D`Ávila na Praia do Forte.

No enredo da obra, coisas se transmutam umas nas outras: conformações da natureza, gente, pigmentações, conjunturas, movimentos, sensações, elementos, escuro…

As forças nativas, bem como suas infinitas possibilidades de ressoar e se ressignificar, são as grandes homenageadas deste projeto talhado a urucum e outras inscrições. Um projeto necessariamente aldeão e que não se compromete em apresentar a “pressa” da próxima faixa musical ou a estabelecida lógica de alguma sequência fílmica. Aqui é se reter no tempo. O feitiço inerente ao próprio estar no mundo se traduz em outros códigos que, ao que parece, velam e desvelam a multiplicidade de interpretar, sentir, fazer as coisas com as mãos.